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Entre-Rios Jornal publica matéria sobre Associação Luz do Amanhecer

Publicada em 23/05/2015

Imaginem a seguinte situação: uma mãe foi tentar matricular o filho, que na época tinha 05 anos, em uma escola convencional de Três Rios e por ele ter paralisia cerebral, ouviu da direção do colégio que eles não tinham como ficar coma criança devido às condições que ele apresentava. Esta é a história de Rosimar de Oliveira Reis e seu filho Thales.

Diante das dificuldades em matricular o filho na rede de ensino, Rosimar se juntou a mais cinco mães que enfrentavam o mesmo  problema e, no ano de 2009, alugaram um espaço na Rua Carlos Ribas, no Centro de Três Rios, e deram início a um trabalho de socialização e dignidade para cada criança. Assim nascia a Associação Luz do Amanhecer.

Com aulas de música e terapia ocupacional, dadas pela Selva, pela psicóloga Neidiceia e dois professores Rosangela e Rosane, além de Cristiana que ensinava teatro, auxiliavam as mães neste projeto. Tudo era custeado com a ajuda de amigos e o espaço funcionava de 13h30 até as 17h30. Quando não estavam juntas, as crianças estavam fazendo tratamentos, como fisioterapia, fonoaudiologia, hidroterapia, equoterapia, entre outras atividades na parte da manhã.

Depois de três anos, a sede da associação foi vendida e a Luz do Amanhecer foi para uma salinha na Avenida Prefeito Alberto Lavinas (Beira Rio), onde ficaram por um pouco mais de um ano. Foi aí que André Vasconcelos, apareceu e conseguiu uma casa maior, pertencente a seus familiares, para abrigar a instituição na Rua José Vaz, bairro Vila Isabel, onde todos estão até hoje.

“O espaço da Beira Rio era muito pequeno, aí apareceu esta casa com o aluguel no valor de R$ 2 mil, porém não tínhamos como pagar este valor, foi aí que o André propôs nos ajudar com R$ 500,00 e nós pagaríamos o restante. Fechamos o negócio e estamos desde 2013 nesta casa. Quinze pessoas ficam aqui, chegamos a ter 24, dois faleceram por causa da síndrome e outros conseguiram se desenvolver, tendo capacidade de entender e se movimentar e foram para a escola regular”, contou Rosimar.

Para manter a associação, que é das mães das “crianças” que tem a paralisia cerebral, bingos, rifas, jantares, almoços, entre outras atividades são realizadas. Além do aluguel, tem a conta de água, luz, gastos com material de limpeza, papelaria, ajuda de custo para os dois monitores da prática de educação especial (Rosangela Cunha e Nelson Carvalho) e a terapeuta Selva que os acompanha até hoje. Tudo fica em aproximadamente R$ 3.600, dependendo das contas.

Para que todos tenham uma boa alimentação – café da manhã, almoço e lanche da tarde – é necessário leite, biscoito, frutas, farinha láctea, mucilon, entre outros alimentos que são doados por terceiros ou levados pelas próprias mães que recebem o Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência (LOAS), para que o dinheiro seja usado em prol do tratamento dos filhos.

“Temos que viver em função deles 24 horas. Não temos tempo nem de ficar doente, porque precisamos nos dedicar aos nossos bebês grandes. Três mães ficam direto na casa ajudando, tem uma mãe que vem uma vez por semana tocar violão e assim vamos dando conta de tomar conta deles e fazer com que tenham amigos e convívio com outras crianças e pessoas”, falou Rosimar.

Alguns passam o dia todo no Luz do Amanhecer, outros ficam só na parte da tarde e durante o tempo que estão no local as crianças recebem estimulação corporal, assistência da psicóloga voluntária, Neidiceia Soares,  ouvem música, escutam historias, fazem pintura, brincam com massa de modelar, atividades voltadas para o tato, brincam de bola e corda, tomam banho de piscina, tudo adaptado de acordo com as necessidades de quem tem a paralisia cerebral.

Somente dois portadores da paralisia que frequentam aassociação  falam: o Matheus e o José Paulo. Todos ficam na cadeira de rodas, usam fraldas, têm os movimentos restritos e dependem de alguém que faça tudo por cada um deles, que passam por diversos problemas ao decorrer da vida.

“Eu quis que este lugar existisse para que meu filho e outras “crianças” pudessem ter a oportunidade de frenquentar um local que fosse como uma escola, para poder brincar, ouvir histórias, já que eles ficam muito tempo no hospital. Por causa da síndrome, eles têm convulsões e o pulmão é prejudicado, com isso, vem a pneumonia e eles precisam ficar internados e também tem muita fisioterapia. A maioria passa por cirurgias porque os membros vão atrofiando, tem os que se alimentam por sonda. É uma luta diária”, contou a mãe do Thales, que atualmente está com 11 anos.

Toda essa dedicação é chamado de amor de mãe. Elas criaram uma rotina para viver em prol de seus filhos especiais, se mantendo presente a todo instante. O Hugo e o Davi, que ficam na Luz do Amanhecer, foram adotados ainda bebês. A Neli e a Ana Cláudia sabiam que eles tinham paralisia cerebral e mesmo assim os levaram para casa e cuidam com todo carinho e atenção. A Luciane tem dois filhos especiais, Natan e Cauan, que ficam na associação.

Quanto aos pais, a maioria não aguenta a pressão e acaba não se fazendo presente e só visita as “crianças”. Já os familiares também não apóiam muito essas mães. O preconceito ainda está presente na mente de muitos.

“Às vezes, as mães ouvem que não é para levar o filho para algum lugar pois vai causar transtorno, porque eles babam, gritam. Teve um caso que o dono de um bar pediu que mãe se retirasse por causa da criança, um processo foi aberto na Justiça e ainda está em andamento. Tem gente que olha diferente, diz que não vai dar presente no Natal porque a criança não brinca, essas coisas que nós vamos aprendendo a contornar”, explicou Rosimar.

No dia-a-dia, as mães se reúnem neste espaço e realizam um bate-papo, trocam ideias e vêem o que as crianças podem fazer e não o que elas não podem. A aula de hidroginástica é como se fosse a natação, a fisioterapia é a arte marcial, a fonaudiologia é o inglês e dessa forma sonhadora e criativa, mães e filhos vão vivendo de uma maneira mais leve e alegre as adversidades da vida.

“Eles entendem bem as coisas, escutam também, mas não conseguem falar e nem se movimentar. A comunicação é feita através do olhar e com a convivência nós vamos aprendendo a entender o que eles querem”, ponderou a idealizadora do Luz do Amanhecer.

Essas mães ainda colaboram fazendo faxina na casa, ajudando nas festas e dando dinheiro, porém não tem como ser uma quantia expressiva já que os gastos são muitos, com fraldas, planos de saúde e medicamentos para conter as patologias que vão aparecendo devido à síndrome.

Além de cuidar dessas 15 “crianças” (José Paulo, 39, Jamile, 35, Natan, 15, Thales, 11, Matheus, 17, Hugo, 10, Uilian, 24, Mariana, 21, Davi, 10, Adriana, 13, Lindaiara, 10, Cauan,07 Paulo Vitor, 04, Yhan 10, e Amanda, 15), mais cinco crianças autistas estão recebendo reforço escolar e estimulação para auxiliar no ritmo das aulas no colégio.

Qualquer pessoa pode ajudar a Luz do Amanhecer a dar continuidade a esta associação, que visa incluir pessoas com paralisia cerebral na sociedade e fazer com que eles tenham momentos únicos ao lado de seus amigos e familiares. As doações podem ser feitas através do telefone (24) 2220-2192, pelo Facebook Associação Luz do Amanhecer ou pelo site http://www.luzamanhecer.com.br.

Extraído de Entre-Rios Jornal

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Associação Luz do Amanhecer . 2019
(24) 2255-3280
Rua José Vaz-155/03-Sítio Vasconcelos - Três Rios / RJ